Kayete – Acervo pessoal.
Com 51 anos de história, o bloco mais tradicional da capital mineira retorna às origens e volta a fazer o cortejo no Centro da capital mineira
Kayete, artista reconhecida por sua trajetória como comunicadora e atriz, com forte presença na cultura da capital mineira, recebeu o convite com emoção. “É uma honra enorme, porque a Banda Mole é, para muita gente, a abertura oficial do Carnaval de Belo Horizonte. E, por mais vibrante que o carnaval esteja hoje, a Banda Mole sempre esteve lá”, afirmou. Ela conta que a relação com o bloco vem de cedo: “Meu pai me levava quando eu era criança. Então, ver esse movimento de resgatar as raízes mexe comigo. É saudosismo, é história — e é muito emocionante”, disse.
A madrinha também relaciona o retorno ao formato de cortejo ao que, para ela, é a essência da festa. “Carnaval é para a gente se fantasiar, ir pra rua, brincar e extravasar. Mas isso só faz sentido com respeito: respeitar o corpo do outro, a individualidade do outro”, disse. “Se você quer ir vestido do que quiser, você pode — desde que exista respeito. É isso que eu faço questão de frisar”, comenta.
Para Luiz Mário Ladeira, o Jacaré, fundador e presidente do bloco, a escolha de Kayete dialoga diretamente com o momento do carnaval da cidade e com o propósito da Banda Mole em 2026. “Diante do crescimento do carnaval de rua de Belo Horizonte, entendemos que este era o momento ideal para voltarmos ao formato de cortejo. A Banda Mole deixa de ser um evento na rua e volta à essência como um verdadeiro bloco”, afirmou. Ele acrescentou que a presença da madrinha reforça a mensagem de um carnaval aberto: “A Kayete é carisma e é Belo Horizonte. Ela representa essa alegria sem perder de vista o que é fundamental: irreverência com respeito”, pontuou.
A proposta do cortejo, além de resgatar o jeito tradicional de desfilar, também busca ampliar a experiência do público ao longo do percurso. A produtora da Banda Mole e presidente da Liga Belorizontina dos Blocos de Rua, Polly Paixão, avalia que o formato favorece a dinâmica da festa na cidade. “Ao retornar ao cortejo, a gente resgata as origens e cria oportunidades para os ambulantes, que por anos desejavam acesso ao perímetro. Com o bloco de rua, eles poderão vender ao longo do percurso, fortalecendo a economia local e o clima democrático que sempre marcou o carnaval de BH”, analisa.
Kayete, por sua vez, diz que pretende exercer a sua função com afeto e presença com os foliões. “Quero receber todos com carinho. Quero estar perto, tirar foto, descer do trio, subir de novo, brincar junto — causar com alegria”, disse. “Eu estou pronta pra honrar esse título de madrinha: vai ter figurino babadeiro, vai ter emoção, e a gente vai viver um carnaval raiz, de diversidade, empatia e respeito”, adiantou.
Totove, produtor do bloco e filho do Jacaré, afirma que a expectativa é de uma edição que una tradição e energia de rua. “O que vem aí é um reencontro com a Banda Mole mais clássica: música guiando o percurso, marchinha, cortejo e aquele clima de pré-carnaval que é a cara de BH”, disse. “Com a Kayete como madrinha, a festa ganha ainda mais identidade — e a mensagem é clara: a avenida é de todo mundo, do começo ao fim, com alegria e respeito”, finalizou.

Data: Sábado de pré-carnaval, 7 de fevereiro de 2026
Horário de Concentração: 16h
Local de Concentração: Portaria do Parque Municipal (Avenida Afonso Pena)
Percurso: Avenida Afonso Pena até a Praça Sete
